Botafogo aciona STJD contra CEO do Grêmio: entenda o caso
O Botafogo entrou com uma ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra Alexandre Leitão, CEO do Grêmio. O motivo é a declaração em que o dirigente chamou o clube carioca de “time de picaretas”.
A fala veio depois da derrota gremista por 3 a 2 no Nilton Santos, em 16 de setembro. O duelo era um jogo atrasado, válido pela 21ª rodada do Brasileirão.
A diretoria alvinegra protocolou no tribunal um documento apontando que Leitão foi irresponsável. Segundo o texto, o dirigente ultrapassou o limite do próprio descontentamento com a arbitragem.
O problema não é só o “time de picaretas”
O incômodo do Botafogo vai além do xingamento. A ação também mira a acusação de que o Grêmio teria sido “roubado” na partida.
Para o clube carioca, esse é o ponto mais grave. Falar em roubo não questiona um resultado isolado: coloca a competição inteira sob suspeita.
A distinção importa. Bate-boca entre dirigentes é rotina no futebol brasileiro, mas acusação pública de manipulação é outro patamar — e é exatamente essa fronteira que o Botafogo quer ver julgada.
As informações foram publicadas pelo site “ge” e confirmadas pela reportagem do Lance!.
Para o Botafogo, deixar passar seria abrir um precedente ruim. Dirigente de clube grande sugerindo fraude sem prova vira um caminho fácil que qualquer derrota pode repetir.
O que diz o artigo 243-F do CBJD
Alexandre Leitão pode ser denunciado com base no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O dispositivo trata de ofensa à honra em fato ligado ao esporte.
A punição prevista abre uma faixa bem larga:
- Multa de R$ 100 a R$ 100 mil.
- Suspensão de até 180 dias.
- Enquadramento por ofensa à honra em fato ligado ao esporte.
O piso é simbólico, mas o teto pesa. Seis meses de suspensão afastariam o dirigente do ambiente esportivo por uma fatia enorme do calendário.
A distância entre o piso e o teto dá margem para o tribunal calibrar a resposta ao tamanho do caso. Multa simbólica e suspensão longa mandam recados muito diferentes ao restante dos dirigentes.
Vale lembrar que a denúncia ainda não existe. O que o Botafogo fez foi provocar o tribunal; cabe à Procuradoria decidir se oferece denúncia.
O lance que começou tudo
A declaração saiu logo depois do apito final. Nos minutos finais, Carlos Vinícius marcou para o Grêmio, mas o gol foi anulado por impedimento.
O tento garantiria o empate ao time gaúcho. O sistema de impedimento semiautomático apontou a irregularidade, e o lance foi invalidado.
A arbitragem da partida era de Edina Alves Batista (SP). Foi contra o trabalho dela que Leitão direcionou as críticas antes de partir para o ataque ao adversário.
Aqui mora o detalhe que muda a leitura do caso. A revolta nasceu de uma marcação apontada pela tecnologia, não de um critério subjetivo de quem apitou.
Impedimento semiautomático é medição de posição, não interpretação. Isso torna bem mais difícil sustentar a tese de “roubo” que o Botafogo levou ao tribunal.
O caso não termina no STJD
O Botafogo pretende ir além do tribunal desportivo. O clube também deve acionar a Justiça comum para responsabilizar o dirigente gremista.
São dois caminhos independentes. Um discute punição esportiva; o outro, reparação civil — e eles correm em prazos completamente diferentes.
Na prática, isso significa que o assunto deve atravessar semanas de Brasileirão. Cada rodada mexe na classificação atualizada da Série A, e episódios assim jogam ainda mais holofote sobre a arbitragem na fase decisiva.
A temporada já vinha tensa nos bastidores, com a disputa de título entre Palmeiras e Flamengo dominando o noticiário. Agora a desconfiança se espalha para fora das quatro linhas.
Do lado gremista, o cálculo mudou de figura. Quanto mais o processo se arrasta, mais a discussão sobre o gol anulado sai de cena e dá lugar à conduta do próprio dirigente.
Para o torcedor, o efeito colateral é conhecido. Quando dirigente fala em roubo, todo lance apertado das próximas rodadas vira combustível para nova crise.
O próximo passo agora é do STJD. O tribunal precisa decidir se acolhe a representação e abre processo contra Alexandre Leitão — e só então se saberá se a fala vai custar caro ao CEO do Grêmio.
Com informações de www.lance.com.br.
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