O que é SAF no futebol e quais clubes brasileiros viraram SAF
SAF é a sigla de Sociedade Anônima do Futebol: uma empresa criada para cuidar do futebol profissional de um clube. O modelo existe desde a Lei 14.193, de 6 de agosto de 2021, e já foi adotado por seis dos 20 clubes da Série A de 2026.
Na prática, o clube passa a ter uma empresa com dono, ações e investidores. “Vender a SAF” é vender parte dessas ações para quem coloca dinheiro.
O que é SAF e o que a lei diz
A Lei da SAF define a Sociedade Anônima do Futebol como uma companhia cuja atividade principal é a prática do futebol em competição profissional. Ela também pode formar atletas, cuidar do futebol feminino e explorar marca e direitos de imagem.
A lei prevê três caminhos para um clube virar SAF:
- Transformação: o próprio clube vira uma SAF;
- Cisão: o clube separa o departamento de futebol e o transfere para a nova empresa, que é o modelo mais usado no Brasil;
- Criação do zero: uma pessoa, empresa ou fundo de investimento funda a SAF.
O clube original não desaparece. Ele continua existindo como associação, com sede, sócios e outros esportes, e passa a ser acionista da SAF.
O que muda para o clube, a dívida e o torcedor
A principal mudança é quem manda. Numa associação, o presidente é eleito pelos sócios. Numa SAF, quem decide é o controlador, o investidor que compra a maior parte das ações, com conselho de administração e executivos contratados.
O clube costuma ficar com uma fatia menor, em geral 10%, mas tem proteções na lei. Enquanto suas ações da chamada classe A somarem pelo menos 10% do capital votante, decisões como mudar o nome, o escudo, as cores ou a cidade da equipe precisam do voto favorável do clube.
A dívida antiga não some, mas ganha um mecanismo de pagamento. A lei determina que a SAF repasse ao clube:
- 20% das receitas correntes mensais da SAF;
- 50% dos dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos.
Esse dinheiro serve para o clube quitar as obrigações anteriores à criação da SAF, diluídas no tempo.
Há ainda um regime de impostos próprio, o Regime de Tributação Específica do Futebol (TEF). A SAF paga uma alíquota única de 5% sobre a receita mensal nos cinco primeiros anos, que cai para 4% a partir do sexto. Esses artigos haviam sido vetados, mas o Congresso derrubou os vetos em outubro de 2021.
Para o torcedor, nada muda no estádio ou na TV. O que muda é a cobrança: em vez de pedir a saída do presidente, a torcida passa a cobrar o dono.
Quais clubes brasileiros viraram SAF
Segundo levantamento do Lance de janeiro de 2026, seis clubes da Série A são SAF: Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco. Veja como cada negócio começou:
- Cruzeiro: primeiro grande clube a vender a SAF. Ronaldo Fenômeno comprou 90% em dezembro de 2021, por R$ 400 milhões. Em 2024, o empresário Pedro Lourenço, dono dos Supermercados BH, assumiu os 90% por cerca de R$ 600 milhões.
- Botafogo: o americano John Textor comprou 90% da SAF em março de 2022. Em 2026, o controle virou disputa judicial entre o clube e o grupo de Textor, a Eagle Football.
- Vasco: vendeu 70% para a 777 Partners em 2022, por R$ 700 milhões. O fundo americano entrou em crise, e o clube retomou o controle na Justiça em 2024. Em setembro de 2026, a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, venceu o processo para comprar 90% da SAF, em operação de cerca de R$ 3 bilhões, que ainda passa pelo Conselho e pela Assembleia do clube.
- Bahia: o Grupo City, dono do Manchester City, comprou 90% em maio de 2023, com aportes previstos ao longo de 15 anos.
- Coritiba: a Treecorp Investimentos comprou 90% em junho de 2023, em negócio de R$ 1,1 bilhão em dez anos.
- Atlético-MG: a Galo Holding, grupo de empresários mineiros, assumiu 75% da SAF em novembro de 2023, com aporte de R$ 600 milhões.
Fora da Série A, também são SAF o Cuiabá, pioneiro, formalizado em dezembro de 2021 e comandado pela família Dresch; o Fortaleza, que adotou o modelo sem vender ações para fora e caiu em 2025; o América-MG, desde 2022; e o Atlético-GO, desde junho de 2024.
O Red Bull Bragantino não é SAF. O clube funciona como clube-empresa, modelo anterior à lei. O Fluminense discute a criação de uma SAF com o banco BTG, mas, até a última atualização deste guia, não havia concluído a operação. O Palmeiras já disse que acompanha o movimento, mas não pretende adotar o modelo.
Vale a pena? O que o torcedor deve observar
A SAF não é garantia de título nem de ruína. Botafogo e Cruzeiro voltaram a brigar por taças depois de virar SAF. Vasco e, em 2026, o próprio Botafogo mostram o outro lado: quando o investidor tem problemas, o clube vai junto.
Três perguntas ajudam a avaliar uma proposta:
- Quanto entra de fato e quanto é promessa de investimento futuro;
- Quem é o investidor e de onde vem o dinheiro;
- Como fica a dívida antiga, que continua no nome do clube.
Foi exatamente esse debate que marcou o leilão da SAF do Vasco, com depósito judicial, proposta-base e votação dos sócios. Para ver como o dinheiro dos clubes se traduz em contratações, vale conferir o balanço da janela de transferências de 2026.
Perguntas frequentes
O que significa SAF no futebol? Sociedade Anônima do Futebol, empresa criada pela Lei 14.193/2021 para administrar o futebol profissional de um clube, com ações que podem ser vendidas a investidores.
Quais times da Série A 2026 são SAF? Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco, segundo o Lance. O Red Bull Bragantino é clube-empresa, não SAF.
O clube pode mudar de nome ou escudo depois de virar SAF? Só com voto favorável do clube original, enquanto ele tiver pelo menos 10% do capital votante em ações classe A.
A SAF paga as dívidas do clube? Em parte. A lei obriga a SAF a repassar 20% das receitas correntes mensais e 50% dos dividendos ao clube para quitar as dívidas anteriores.
Com informações de www.lance.com.br.
2 thoughts on “O que é SAF no futebol e quais clubes brasileiros viraram SAF”