Proibição das bets: quanto os clubes perdem e o que muda
Foto: Divulgação/CBF
A proibição das bets tirou do futebol brasileiro o seu maior patrocinador: 14 dos 20 clubes da Série A têm uma empresa de apostas no espaço principal da camisa. Com a Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, essas marcas precisam sair dos uniformes, das placas e das redes sociais, e os contratos entram em discussão.
O prazo para a retirada de patrocínios e materiais publicitários termina em 5 de outubro. A partir do dia 6, as plataformas de apostas são bloqueadas no país.
O que a MP muda na prática para os clubes
O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em território nacional. Para o futebol, isso atinge três frentes de receita ao mesmo tempo:
- Camisa: o patrocínio máster, que na maioria dos clubes da Série A é de uma empresa do setor.
- Estádio: placas de publicidade e ativações em dia de jogo.
- Competições: os naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil.
A CBF já começou a adaptação. Segundo o Lance!, a entidade retirou das redes sociais das duas competições a marca que dava nome aos torneios, parceria que existia desde 2023 na Copa do Brasil e desde 2024 no Brasileirão.
Corinthians: R$ 450 milhões em jogo
O caso mais claro em números é o do Corinthians. O clube tem contrato com sua patrocinadora máster até o fim de 2029, com R$ 150 milhões fixos por ano e mais R$ 10 milhões em ações de marketing.
Contando só a parte fixa, o clube pode deixar de receber R$ 450 milhões até o fim do vínculo, de acordo com o Lance!.
A saída imediata é vender o espaço jogo a jogo. A diretoria pede R$ 1,2 milhão por partida, com valor maior em clássicos e jogos de mais audiência. Há uma negociação em andamento com uma empresa de educação financeira, cujo nome é mantido em sigilo, para o espaço principal do uniforme.
Palmeiras negocia; São Paulo jogou com a marca
O Palmeiras manteve a patrocinadora nos uniformes de treino e nas redes sociais enquanto o prazo corria. A partir da entrada em vigor da regra, não poderá exibir a marca contra o Bahia, em 8 de outubro, no Nubank Parque — o próximo jogo do Palmeiras no Brasileirão.
Clube e empresa conversam para evitar o fim da parceria, mas a suspensão do contrato não está descartada. O executivo responsável pela patrocinadora na América Latina, Antonio Forjaz, resumiu o impasse ao Lance!:
— Eu deixo de ter os ativos. Eu tenho os contratos. São coisas diferentes.
Ou seja: sem poder mostrar a marca, a empresa paga por algo que não pode usar. O Palmeiras, segundo a reportagem, não pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
O São Paulo entrou em campo contra o Santos, na sexta-feira (2), ainda com a patrocinadora na camisa, por entender que o jogo estava dentro do prazo. No Morumbis, as placas exibiram frases de protesto de empresas do setor, como “Proibir não é proteger”. O futuro do contrato do clube segue sem definição.
A proibição é definitiva?
Ainda não. A MP vale desde a publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. O prazo inicial é de 60 dias, prorrogável por mais 60. Se não for aprovada, perde a validade.
Há também disputa na Justiça: o tema chegou ao STF, como mostramos em proibição das bets no futebol: STF é acionado e clubes se reúnem. Para quem quer acompanhar a tramitação em detalhe, o Bet Blog, que cobre o setor, lista as emendas que tentam mudar o texto da MP e o prazo no Congresso.
Enquanto isso, os clubes trabalham com dois cenários: renegociar com os patrocinadores atuais, caso a regra mude, ou buscar marcas de outros setores para fechar a temporada.
Perguntas frequentes
Quantos clubes da Série A têm patrocínio de bets? 14 dos 20 clubes têm uma empresa de apostas como patrocinadora máster, segundo o Lance!.
Até quando os clubes podem exibir marcas de apostas? O prazo para retirar patrocínios e publicidade termina em 5 de outubro de 2026.
Quanto o Corinthians pode perder com a proibição das bets? Até R$ 450 milhões em valores fixos até 2029, se o contrato atual for encerrado.
A MP das bets pode cair? Pode. Ela precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias e também é questionada no STF.
Com informações de www.lance.com.br.