Proibição das bets no futebol: STF é acionado e clubes se reúnem
Foto: Ton Molina /Fotoarena/Folhapress
A proibição das bets no futebol chegou ao Supremo Tribunal Federal. Entidades do setor pediram a suspensão imediata da Medida Provisória, enquanto clubes das Séries A e B se reuniram às pressas para medir o estrago em seus patrocínios.
O caso está nas mãos do ministro Luiz Fux, relator das ações. Na terça-feira (29), às 15h, clubes e federações ligados à CBF sentam com o Ministério do Esporte em busca de uma saída.
O que foi parar no STF
A MP foi assinada pelo presidente Lula na sexta-feira (25). Ela proíbe as apostas online e também o patrocínio e a publicidade de casas de apostas no futebol brasileiro.
Nesta segunda-feira (28), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o STF. Segundo o Lance, a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou no processo e fixou prazo de 72 horas ligado às respostas sobre as ações do setor.
O argumento central das entidades é a segurança jurídica. Para elas, a MP não regula uma atividade: extingue em poucos dias um mercado criado por lei pelo Congresso. As empresas autorizadas pagaram R$ 30 milhões por outorga, válida por cinco anos.
Caberá a Fux decidir se analisa o pedido sozinho ou se leva o tema ao plenário. Até lá, a MP segue valendo.
Por que os clubes estão preocupados
O tamanho do problema cabe em um número. Segundo o Lance, o futebol brasileiro recebeu pouco mais de R$ 1 bilhão em patrocínio do setor em 2025.
Na prática, boa parte dos uniformes da elite nacional carrega hoje a marca de uma casa de apostas no espaço mais nobre da camisa. Perder esse dinheiro de uma hora para outra, no meio da temporada, mexe com folha salarial, planejamento e até com a janela de 2027.
O Cruzeiro é um exemplo concreto. A dona da patrocinadora máster do clube informou ao Lance que suspendeu suas atividades no país desde sábado (26). Também interrompeu ações de publicidade e patrocínio, e disse que avalia cada contrato individualmente com os parceiros.
Nesta segunda, dirigentes de clubes paulistas das Séries A e B se reuniram em caráter de emergência na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), na Zona Oeste de São Paulo. A pauta foi uma só: as consequências do veto para as finanças do futebol.
Clubes evitam briga na Justiça, por enquanto
Os clubes ainda não decidiram se vão judicializar o tema. A leitura dos dirigentes é que o momento pede cautela e conversa com o governo federal, não confronto.
Essa postura faz sentido. Um clube que processa o governo às vésperas de negociar compensações perde força na mesa. Por isso, a reunião desta terça com o Ministério do Esporte ganhou peso de divisor de águas.
O caminho judicial, por ora, fica com as entidades do setor de apostas. Se o STF conceder a suspensão, os clubes ganham tempo. Se negar, a conversa com o governo vira a única saída.
As datas que importam nas próximas semanas
Além do julgamento no STF, o governo definiu um calendário apertado para o fim das operações. As principais datas são:
- 29 de setembro, 15h: reunião de clubes e federações com o Ministério do Esporte.
- 5 de outubro, 23h59: prazo final para usuários retirarem saldo das plataformas e para a remoção de publicidade.
- 6 de outubro: sites e aplicativos são desativados.
- 7 e 8 de outubro: empresas informam os bancos que guardam os valores dos usuários, estimados em R$ 1,7 bilhão.
- 9 a 14 de outubro: devolução integral dos saldos, com a Caixa assumindo se houver bloqueio.
A retirada das marcas das camisas é o ponto que o torcedor vai notar primeiro. Com a Data Fifa em andamento, os clubes têm poucos dias para resolver o uniforme antes da volta do Brasileirão 2026 e sua tabela de classificação.
O que esperar agora
A semana tende a definir o rumo do caso. De um lado, a decisão de Fux sobre a suspensão da MP. Do outro, o resultado da reunião com o Ministério do Esporte.
Não é a primeira mudança de regra que mexe com os clubes em 2026. A CBF já havia aprovado mudanças no mercado, como a redução gradual de estrangeiros no Brasileirão. Desta vez, porém, o impacto é imediato e direto no caixa.
Para o torcedor, a pergunta que fica é simples: quem vai ocupar o espaço da camisa do seu time? A resposta depende do que sair de Brasília nos próximos dias.
Com informações de www.lance.com.br.
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