Wladimir Mattos no Santos: SAF, base e Neymar no projeto
Wladimir Mattos, candidato à presidência do Santos, defende transformar o clube em SAF e colocar Neymar no centro do projeto. Em entrevista exclusiva ao Lance, ele apresentou um plano baseado em governança, equilíbrio financeiro e aproveitamento da base.
O discurso parte de um diagnóstico duro. Para o candidato, o Santos não é um caso perdido, mas está na UTI. E a primeira medida, segundo ele, sai no dia seguinte à eleição.
O diagnóstico: um clube preso ao continuísmo
Wladimir sustenta que o problema do Santos é político antes de ser técnico. Na visão dele, o clube passou décadas nas mãos dos mesmos grupos, com promessas de mudança renovadas a cada eleição.
A palavra que ele repete é governança. Junto dela vêm profissionalização, transparência e método. É o tipo de pauta que costuma aparecer em toda campanha, e o torcedor vai cobrar se ela vira prática.
Para sair do papel, o candidato promete um pacote imediato de ações:
- diagnóstico financeiro completo do clube;
- auditoria dos contratos em vigor;
- levantamento do caixa, do que há a pagar e a receber;
- início da renegociação de dívidas;
- critérios rígidos para gastos e investimentos.
Ele também diz ter montado parte da equipe com especialistas em crise. São profissionais que, segundo ele, já passaram por situações tão difíceis quanto a do Santos e saíram bem.
Orçamento curto e Fair Play Financeiro
O ponto mais realista da entrevista é o financeiro. Wladimir lembra que os clubes que puxam a tabela da Série A já trabalham com orçamentos acima de R$ 1 bilhão, com exceção do Athletico Paranaense.
Ele cita ainda o Fair Play Financeiro, que limita os gastos com futebol a até 70% da receita estimada para a temporada. Na prática, isso impede o Santos de gastar para compensar a crise.
O candidato admite que o orçamento será apertado. Mesmo assim, diz que o time precisa voltar a competir e deixar de ser figurante, como nos anos em que brigou para não cair. A frase que resume a linha é direta: é proibido gastar mais do que se arrecada.
Para o torcedor, isso sinaliza um período de reconstrução, e não de contratações caras. Quem acompanhou a cirurgia de Brazão, que tira o goleiro do Santos até 2027, já sabe que o elenco não tem folga para errar.
A base como motor esportivo e financeiro
O projeto aposta no que o Santos sempre fez de melhor: revelar jogadores. Wladimir fala em equilíbrio geracional, com garotos da base ao lado de atletas mais experientes.
Ele aponta uma mudança na legislação que permite ao clube assinar o primeiro contrato profissional por até cinco anos. Com planejamento, isso ajuda a manter o jogador até os 21 anos.
A conta é simples. O Santos costuma lançar atletas aos 17 ou 18 anos. Com contratos mais longos, o garoto pode fazer 100 ou 150 jogos no profissional antes de uma venda, o que valoriza o ativo e dá retorno em campo.
O candidato reconhece o outro lado. Os jovens já assinam pensando na Europa e nos salários em euro. Por isso, a ideia é aproveitar ao máximo o tempo em que eles vestem a camisa. A nova geração já tem nomes em evidência, como Gabriel Bontempo, meia do Santos convocado para a Seleção.
SAF e Neymar: as duas apostas do projeto
Wladimir se declara 100% favorável à SAF. Para ele, é uma necessidade para o Santos voltar ao protagonismo, já que hoje o clube não consegue contratar jogadores de R$ 40 ou R$ 50 milhões.
Ele faz uma ressalva importante: não vê a SAF como solução só para pagar dívida. O plano é medir primeiro o tamanho do passivo e depois definir quanto o clube manteria sob controle. O desejo dele é que o Santos fique com 30% a 40% da SAF, mas ele próprio admite não saber se será possível.
Neymar aparece como peça dessa estratégia. Segundo o candidato, o atacante pode ser importante tanto para gerar receitas quanto para atrair novos jogadores ao clube.
Na entrevista, Wladimir também tratou dos planos para a Vila Belmiro e da ideia de levar mais jogos para São Paulo. Ele descartou pensar em um novo estádio como prioridade, por causa do custo e da dificuldade de atrair investidor no regime associativo.
O que esperar daqui para frente
O Santos vive uma disputa em que o sócio vai escolher entre modelos de gestão, não apenas nomes. A proposta de Wladimir combina corte de gastos, base forte e SAF no médio prazo.
O próximo passo é ver como os outros candidatos respondem a esses temas. Dívida, SAF e o papel de Neymar devem dominar o debate até o dia da votação.
Com informações de www.lance.com.br.